TUDO É UMA QUESTÃO DE MANTER A MENTE QUIETA...

 

 

Como magnificamente sintetizado na canção-mantra "Coração Tranquilo": tudo é uma questão de manter a mente quieta. E, nesse "tudo", está incluído realmente tudo, pois em assuntos espirituais não há exceções ou "jeitinhos", comodismos para os egos.

Se tudo é uma questão de manter a mente quieta, então nada depende da mente inquieta, isto é: ativa do jeito que imaginamos ser necessário para a sobrevivência.

Interpretar intelectualmente "tudo é uma questão de manter a mente quieta" é um erro, já que quem interpreta é a mente inquieta, e ela não quer saber de quietude. Por não serem imparciais, racionalismo e Q.I. são inúteis para a evolução espiritual da alma. É como constituir, o próprio ladrão, como juiz do caso de roubo...

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta" não é invenção do autor da referida música: isso é dito há milhares de anos, apenas com palavras diferentes.

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta" é o mesmo que: "Busqueis, em primeiro lugar, o Reino de Deus", palavras do homem que os cristãos juram amar.

 

"Que história é essa, de só manter a mente quieta? Que história é essa, de buscar um tal 'Reino de Deus' e deixar minhas responsabilidades para depois? Preciso manter a atenção em tudo o que acontece no mundo, preciso agir imediatamente, para conseguir sobreviver e cumprir minhas obrigações!".

Tais argumentações, indignadas, são tão antigas quanto a busca da Verdade e, quando são respondidas, não convencem. Nem mesmo Budas/Cristos conseguem convencer quem não está pronto para ser convencido. Apenas na hora certa, e nunca antes, o convencimento vem de dentro, do próprio Coração.

Talvez, o(a) leitor(a) esteja pronto(a) para a revelação interior e, para ele(a), ofereço o alerta exterior de um grande homem: nada é do jeito que pensamos ser. Mesmo uma "certeza absoluta" de que a mente, como a conhecemos e utilizamos, é indispensável para a vida, não passa de ilusão, pois é a própria mente quem tem certeza absoluta (outro julgamento tendencioso, como no exemplo do ladrão julgando o caso de seu próprio roubo).

Quando apresentavam queixas ao "Sábio de Arunáchala", Bhagavan Ramana Maharshi, de que quietude mental era preguiça e/ou alienação social e que, portanto, nunca levaria à libertação espiritual, suas respostas variavam conforme a percepção do interlocutor e eram mais ou menos assim:

"Apenas fique quieto [mentalmente], e DEUS fará o resto", isto é: se houver sinceridade, determinação e fé, DEUS, seja lá o que for, esclarecerá todas as dúvidas da mente inquieta, a deixará quieta, em Paz.

"Primeiro, faça; depois, se ainda for preciso, discutiremos", isto é: alcance a quietude interior (ou Paz, ou "Reino de Deus", ou Nirvana, etc.); então, confirme por si mesmo(a) se dúvidas, temores, insatisfações e sofrimentos ainda existem, e se tornou-se um(a) alienado(a).

"Quietude mental não significa inatividade, vida sem sentido. O sábio vive no mundo, em aparente atividade, mas sua mente permanece quieta, tranquila, inabalável".

 

Grandes homens nada querem tirar dos outros, não desperdiçam tempo e energia em discussões intelectuais. Ramana dizia que a Verdade (DEUS) é muito simples, a coisa mais simples e natural; o ser humano, porém, não gosta de simplicidade: ele venera o sobrenatural, o ocultismo, milagres, religiões complexas, mundos astrais, anjos, demônios, etc.; por isso, vive em constante tormento mental e é vítima fácil para os profissionais da fé.

O Senhor Jesus usava algumas alegorias com o intuito de atrair a atenção e o interesse do povo, pois é normal o sábio adaptar a Verdade ao grau de compreensão espiritual da audiência ("Se não virdes sinais e milagres, não crereis"). A tática do "Pescador de homens" é como lançar iscas na água, atraindo os peixes para perto da rede. Só que, após a captura, não são postos para morrer lentamente e, depois, vendidos no mercado; são, sim, piedosamente encaminhados/libertados no melhor lugar que existe: a consciência "Reino de Deus", aqui e agora ("O Reino de Deus está dentro de vós").

A tática do "Sábio de Arunáchala" era diferente; mas, a finalidade, a mesma ("Volte-se para dentro, descubra quem é e fique em Paz").

 

Não duvidemos, confiemos: tudo (tudo mesmo) é uma questão de manter a mente quieta. Na hora certa isso será Verdade, em nossos corações. Amém.

 

 

25/08/2021

 

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