TENTANDO FICAR AQUI

(Praticando o ensinamento descrito no texto anterior: "Fica aqui!")

 

Quem sou eu? Quem sou eu?

O que é este "eu"?

Pra onde vai, quando durmo?

De onde vem, quando acordo?

Minha real natureza pode ser algo que vai e vem?

Minha real natureza pode ser algo nem sempre presente?

Sim, pois a consciência-eu (mais conhecida como "ego") ora é perceptível, ora não.

Quando durmo, desaparece.

Quando sonho, outra consciência aparece, diferente desta, agora presente.

Então, como a consciência atual se lembra de um sonho vivenciado por outra consciência?

 

Quando durmo, não percebo esta consciência-eu, individualidade composta por corpo e mente. Não há desejos, não há medos, não há preocupações; mas, com certeza, há algum tipo sutil de consciência, que percebe não haver corpo, mente, desejos, etc.  Se o sono significasse inconsciência, "eu" acordaria desorientado, sem saber que havia dormido, sem entender por que a noite havia, subitamente, se convertido em dia.

 

Quando sonho, tudo é tão real quanto a realidade agora perceptível via sentidos físicos; o mundo-sonho é tão sólido quanto este, que me rodeia; um eu-sonho aparece, dotado de corpo-sonho, visão-sonho, audição-sonho, etc. Durante o sonho, onde está a consciência-eu que, neste momento, digita? Deve estar em algum lugar, afinal, quando o sonho termina, ela retorna. Se simplesmente deixasse de existir, "eu" dormiria como João e acordaria como José... Não: sei que o "eu", antes e após dormir, é sempre o mesmo.

 

Quando este corpo é ferido, "eu" sinto dor; contudo, um ferimento em outro corpo não me causa o mesmo sofrimento. Este fortíssimo vínculo, entre consciência-eu e corpo físico, provoca a ilusão de que sou este. Isto não pode ser verdade, pois, se assim fosse, nenhuma anestesia funcionaria. Se anestesiado, "eu" não sinto o corpo e suas mil e uma mazelas. Portanto, não sou o corpo.

Quando durmo, a mente, com suas mil e uma preocupações, desaparece. Se "eu" fosse a mente, em nenhum momento haveria a paz que experimento durante o sono sem sonhos. Portanto, não sou a mente.

 

OBS.: o processo descrito acima é útil, no início da prática; posteriormente, porém, prudente seria abandoná-lo, pois envolve atividade intelectual, a qual agita a mente. A opção para, ao contrário, acalmar a mente, é retornar ao "aqui", perguntando: "Quem dorme?", "Quem sonha?", "Quem sente dor?", etc. Se a autoinquirição for feita corretamente, começaremos a perceber o que é a verdadeira e única PAZ.

 

Se não sou corpo e/ou mente, o que sou? Quem sou eu?

Resposta de Bhagavan: real natureza é a Consciência sempre presente, que testemunha tudo descrito acima (costumo chamá-la de "Consciência-DEUS").

Por que a consciência-eu não percebe a Consciência-DEUS? Várias explicações confiáveis existem e uma delas é: DEUS está muito acima das capacidades perceptiva e cognitiva do ego, assim como sinais de rádio estão acima de nossa capacidade sensorial. Só sabemos que existem, ondas de rádio, porque aparelhos as detectam e as convertem em ondas sonoras. Da mesma forma, precisamos de algo para podermos conhecer a Consciência-DEUS: mente calma, livre das limitações/ilusões do ego.

Segundo Bhagavan, conhecer a Consciência-DEUS ainda não é a meta final, mas sim SER Consciência-DEUS.

 

Finalizo agora, pois não tenho autoridade/sabedoria para prosseguir. Conhecimento teórico pode ser útil, mas não é "nosso": quase tudo que sabemos são verdades do mundo, que tomamos emprestadas. A verdadeira VERDADE, aquela que realmente liberta, vem de dentro do Coração, assim adverte a Sabedoria Sagrada.

 

 

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Fica aqui!

 

 

25/09/2025

 

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