IR ALÉM
Cedo, comecei a vadiar;
tardiamente, a meditar.
Muito vivi, muito morri.
Muito subi, muito desci.
Muito tive de dores.
Muito tive de amores.
Muito tive de prantear.
Muito tive de gargalhar.
Quanto mais vi, mais quis ver.
Quanto mais tive, mais quis ter.
Muito tive de luxúria.
Muito tive de penúria.
Tive muito de visão.
Tive muita escuridão.
Paguei muito, por pouco.
Ora ouvi, ora fui mouco.
Muito tive de paixões.
Muito tive de aversões.
Corroído fui, pelo ódio.
Tive o alto do pódio.
Corrompido até o osso.
Tive o fundo do poço.
Muito tive, vaidade;
quase não, humildade.
Demais tive arrogância,
o escudo da ignorância.
Muito tive de vitórias:
do mundo, míseras glórias.
Mais vezes, ainda, perdi.
Mesmo assim, pouco aprendi.
Muito, estudei; pouco, sei.
Ora fui rei, ora mendiguei.
Demais, me orgulhei.
De menos, me curvei.
Muito, dei; mais, tomei.
Me desgovernei, me controlei.
Pisoteei, confesso, a Divina Lei.
Ainda sirvo ao dinheiro,
senhor do mundo inteiro.
Se perguntam: "valeu a pena?",
respondo: o Coração me condena.
Não há sorte ou azar.
Cada um, por si, vai pagar.
Lutando estou, porém, pra ir além.
E, a isto, exclamo: Amém!
05/07/2025
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